segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Cimento alternativo é desenvolvido na USP

Cimento alternativo é desenvolvido na USP: "O cimento magnesiano poderá substituir em até 80% o cimento portland, que é usado na composição do fibrocimento para telhas e painéis."
Cimento alternativo é desenvolvido na USP

Na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, pesquisadores desenvolveram um cimento alternativo para ser utilizado na produção de fibrocimento.

O produto poderá substituir em até 80% o cimento portland, que é usado na composição do fibrocimento, como aglomerante.

Durante os testes, o fibrocimento alternativo mostrou maior durabilidade e menor custo, além de ser menos agressivo ao meio ambiente.

Cimento magnesiano

"O material não será produzido para utilização em fins estruturais, mas sim para elementos construtivos ou artefatos, como telhas e painéis de fechamento", avisa o engenheiro civil Carlos Gomes, responsável pelo desenvolvimento.

A base do novo produto, segundo Gomes, são compostos de óxido de magnésio.

"O cimento à base de óxido de magnésio, chamado de cimento magnesiano, começou a ser estudado por volta de 1867. Contudo, devido ao seu alto custo, a utilização ficava inviável", justifica o engenheiro. O óxido de magnésio é usado principalmente na produção de materiais refratários.

Gomes adicionou algumas cargas minerais ao óxido de magnésio que acabaram por reduzir o custo. "Conseguimos então um produto que, na composição do fibrocimento, pode substituir por completo o cimento portland", garante o pesquisador.

A característica menos agressiva ao meio ambiente fica por conta do processo de produção do cimento alternativo. Gomes conta que o produto é menos alcalino que o cimento tradicional. "Verificamos ser possível menores emissões de carbono durante a produção. Ao mesmo tempo, o produto consegue capturar mais carbono do meio ambiente", explica.

Vantagens do cimento alternativo

Os testes com o cimento alternativo revelaram vantagens no processo produtivo, com um menor tempo para produção. O material também é menos agressivo às fibras, devido à sua baixa alcalinidade e apresenta vantagens também quanto à durabilidade.

Gomes conta que, nos testes realizados com fibrocimentos compostos por fibras de escória de alto-forno ou celulose, a degradação (envelhecimento acelerado) dos materiais foi superior aos 56 dias, um tempo padrão recomendado pelas normas.

"Quando substituímos o portland pelo cimento alternativo, não observamos a degradação das fibras", conta o engenheiro, lembrando que os testes são realizados com a imersão do produto em água quente.

Outra vantagem é em relação à "cura final", ou seja, quando o material atinge a secagem e ponto de resistência ideais. Segundo Gomes, enquanto o fibrocimento com cimento alternativo atinge o ponto ideal (cura) em cerca de 40 minutos, o produto feito com o cimento portland atinge sua cura somente em torno de 28 dias depois.

O engenheiro destaca que o cimento alternativo ainda passará por testes que serão realizados na própria EESC em protótipos de habitações populares.

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